Há dias em que rezar parece fácil. As palavras vêm, o silêncio faz bem e temos a impressão de que Deus está perto. Em outros, porém, acontece justamente o contrário. Sentamo-nos para rezar e a cabeça continua ocupada com aquilo que precisamos resolver, com uma preocupação, uma conversa mal terminada ou simplesmente com o cansaço.
É justamente aí que Santa Teresa d’Ávila pode nos ensinar alguma coisa.
Para Teresa, a oração não era uma técnica para produzir sentimentos religiosos. Era uma relação. Ela a compreendia como um encontro de amizade com Aquele que sabemos que nos ama.
Talvez por isso sua experiência continue tão atual.
Também nós podemos cair na tentação de medir nossa oração pelo que sentimos. Se houve consolação, achamos que rezamos bem. Se houve distração ou aridez, pensamos que alguma coisa deu errado. Teresa nos conduz por outro caminho: permanecer.
A amizade verdadeira não existe apenas quando há assunto, entusiasmo ou emoção. Ela amadurece justamente quando aprendemos a permanecer junto daquele que amamos.
Com Deus não é diferente.
Santa Teresa conheceu suas próprias fraquezas, atravessou períodos de luta interior e não chegou à intimidade com Deus por ser uma pessoa naturalmente recolhida ou distante dos problemas do mundo. Ao contrário: sua vida foi marcada por decisões, viagens, fundações, dificuldades e responsabilidades.
E talvez esteja aí uma das coisas mais bonitas de sua espiritualidade: quanto mais Teresa entrava no silêncio da oração, mais sua vida se tornava disponível para Deus e para a Igreja.
A verdadeira oração não nos retira da realidade. Ela nos devolve a ela com um coração diferente.
No meio de uma rotina cheia, podemos imaginar que rezar seja mais uma tarefa para encaixar no dia. Santa Teresa nos convida a enxergar de outra forma. Talvez a oração seja justamente o lugar em que todas as outras coisas encontram novamente seu lugar.
Não precisamos começar com grandes experiências espirituais.
Podemos começar ficando alguns minutos diante de Deus.
Sem muitas palavras.
Sem exigir sentir alguma coisa.
Simplesmente permanecendo diante Daquele que já nos conhece e nos ama.
Às vezes, a amizade começa exatamente assim.